A Assassina (Point of no return, 1993)

Filme meio raso do diretor John Badham (de Jogos de Guerra), que cumpre seu papel, mas é facilmente esquecível. A produção tem cara e jeito de ser meio marginal, meio “à parte” da indústria de Hollywood, mas o diretor competente e o bom elenco garantem uma qualidade ao menos razoável para o filme.

Bridget Fonda (sobrinha de Jane Fonda) é Maggie, garota marginal viciada em drogas que é a única sobrevivente da ação policial contra o assalto a uma loja. Presa por matar um policial, ela é condenada à morte por injeção letal. Mas uma espécie de “polícia paralela secreta” do governo americano identifica o “potencial bélico” da garota e resolve impedir sua morte, recrutando-a compulsoriamente para treinamento, onde ela é formada como uma das melhores agentes e depois passa a ter uma vida quase normal, só que assumindo uma identidade falsa e sempre sob as asas vigilantes do “governo”.

A intenção do roteiro é a de mostrar o contraste entre a garota marginal e selvagem do começo do filme com a bela e elegante moça que a personagem que dá nome ao filme se transforma. A primeira não tem a menor noção de civilidade, é um bicho do mato (a garota bate em tudo que vê pela frente) e extremamente agressiva; a segunda é jovem, astuta, bonita, inteligente e ainda por cima é boa de briga e sabe atirar muito bem. O problema é que a “passagem” de um estado para outro é feita subitamente, e de repente ela passa a cultivar sentimentos de querer ser alguém na vida, de praticar o bem, e até de poupar a vida de pessoas sob a mira de seu revólver. Só que fica difícil acreditar que tudo isso foi adquirido em apenas alguns meses de “treinamento”.

Isso se acentua quando a jovem se apaixona por um fotógrafo que encontra no caixa do supermercado (Dermot Mulroney, de O Casamento do meu melhor amigo). Na verdade a impressão que dá é que ela resolveu se apaixonar pelo primeiro cara que atravessasse sua frente, porque cá entre nós ele é muito, mas muito chato. Daí em diante o filme foca na dificuldade cada vez maior que ela tem em levar a vida a dois com seu parceiro, para que esse não descubra suas atividades “suburbanas” que ela ainda é obrigada a exercer, sempre envolvendo o assassinato de pessoas que ela nunca viu na vida mas são inimigas do “governo”.

Bridget Fonda está bem, principalmente no começo da trama, como garota marginal e completamente sem educação (tem uma cena que ela é “obrigada” a sorrir que achei muito legal). Gabriel Byrne não é muito exigido, faz o agente que se apaixona pela ex-marginal (e sempre está apanhando dela) e quase não participa de cenas externas. E ainda temos Harvey Keitel, que faz uma pequena mas eficiente participação no final do filme.

Juntando tudo, o roteiro é mal desenvolvido e as coisas são jogadas na tela como se fizessem sentido sem necessidade de maiores explicações, mas como passatempo o filme funciona, tem ação e até uma certa dose de suspense. Só deixa a desejar para o espectador mais crítico.

Nota – 7.5 ***

Clique aqui e veja o trailer original do filme (em inglês)

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