O Show de Truman (The Truman Show, 1998)


Jim Carrey com esse filme definitivamente provou que é um ator completo, e que, caso tenha sabedoria para desenvolver bem sua carreira, só tem a crescer nos próximos anos, interpretando personagens dos mais variados tipos e estilos e desgarrando-se da imagem de ator que somente faz comédias bobocas e personagens idiotas. Mas quem ainda questiona o trabalho de Carrey precisa ver esse O Show de Truman.

O filme é originalíssimo, e logo de cara o espectador já “mergulha” na atmosfera inusitada que o roteiro desenvolve. Não assistimos a um filme, mas sim a um programa de TV – sim, o Show de Truman – onde o protagonista é Truman Barbick, um homem casado, com bom emprego, morador de uma cidade pequena isolada numa ilha dos EUA, mas que, ao contrário de todos os espectadores (e de todos os outros atores, atrizes e figurantes, sem exceção) não sabe que seu mundo e sua vida são artificiais, fabricados – não são o mundo e a vida reais. O que ele pensa ser o “mundo” na verdade é o gigantesco cenário de um reality show, ou seja, desde que nasceu – literalmente, pois o primeiro episódio retratou o nascimento do bebê Truman – ele vive em uma cidade completamente projetada para ele, onde seus movimentos são monitorados 24 horas por dia e trasmitidos pela televisão.

O diretor Peter Weir (o mesmo de Sociedade dos Poetas Mortos e de Mestre dos Mares) consegue um esplêndido trabalho, e entender o que se passa é fácil, apesar da aparente complexidade do tema. O roteiro é desenvolvido num ritmo constante e firme, e prá quem não lê a sinopse do filme, somente depois de uma meia-hora é que se percebe claramente que estamos diante de um programa de TV. Porém, o filme tem o mérito de não ficar apenas no enfoque superficial da coisa – pelo contrário, traz à tona muitas discussões do cotidiano atual, como o excesso de merchandising na TV hoje em dia e o poder de manipulação que a mídia pode exercer sobre as pessoas. Tudo isso sem deixar de usar o bom-humor característico que Carrey imprime na dose certa ao seu personagem, que nunca é caricato ou desproporcional ao que o filme deseja transmitir.

Laura Linney (a possuída de O Exorcismo de Emily Rose) faz uma esposa de encaixe perfeito para os propósitos dos produtores do programa, já que nunca perde a chance de atuar como garota-propaganda dos diversos produtos que utiliza na casa em que mora com Truman. A cara que ela faz (e o olhar que ela produz) quando anuncia os produtos para a câmera é impagável. Outra bela atuação é do competente Ed Harris, que faz o excêntrico diretor de TV Christof, um sujeito estranho que tem total controle sobre sua obra. A princípio ele poderia ser considerado um vilão, mas repare, numa das cenas do filme, quando ele concede uma entrevista, como muito do que ele diz e pensa faz sentido, diante das circunstâncias da estória.

Um filme bastante ousado, diria até que particularíssimo pelo roteiro apresentado e desenvolvido, que diverte bastante, mexe conosco e nos faz torcer para que Truman tenha o direito à sua liberdade como qualquer um de nós e, principalmente, nos faz torcer para que ele seja feliz em sua escolha.

Nota – 9.0 ****

Veja abaixo o trailer original do filme (em inglês)


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