007 – Os diamantes são eternos (Diamonds are Forever, 1971)

O modelo/ator australiano George Lazenby foi um fracasso retumbante no filme anterior, e os produtores da série 007, Albert Broccoli e Harry Saltzman, não tiveram outra escolha: ofereceram o quanto Sean Connery quis cobrar para tê-lo novamente no papel de James Bond: Um milhão e duzentos e cinquenta mil dólares, o maior cachê já pago a um ator de cinema até então, mais 12,5% de participação na bilheteria do filme, que atingiu quase 44 milhões de dólares somente nos EUA (o que resultou em mais 5 milhões de dólares, pelo menos). Além de tudo isso, fez com que o estúdio United Artists finaciasse mais 2 filmes que o ator escolhesse, dos quais apenas um acabou sendo realizado (Até os Deuses Erram, de 1973, drama de Sidney Lumet). Isso tudo em troca de pouco mais de 4 meses de filmagens.

Apesar de Connery não ter mais a forma física de quando estreou como 007, cerca de dez anos antes (nitidamente mais gordo e até recorrendo a uma indisfarçável peruca, segundo os maldosos), a missão que marca sua volta – e também sua despedida – ao papel de 007 é considerada por muitos, inclusive por mim, uma das suas melhores aventuras. Bond aqui reencontra mais uma vez o arqui-inimigo Ernst Stavro Blofeld, principal mentor da organização criminosa Spectre (vivido muito bem pelo ator britânico Charles Gray). Blofeld ameaça o mundo com uma poderosa arma nuclear lançada ao espaço, feita com diamantes contrabandeados.

O filme apresenta uma das melhores duplas de assassinos da série, os impagáveis (e homossexuais) Mr. Wint e Mr. Kidd, que se encarregam de eliminar todas as pessoas envolvidas no contrabando dos diamantes, para que ninguém revele o destino dos mesmos ou quem comanda a poderosa rede. A cena final do filme, em que ambos tentam matar Bond disfarçados de garçons, é uma das mais marcantes de toda a série.

Além de torrar uma grana preta para trazer Sean Connery de volta, os produtores resolveram chamar novamente outras duas personalidades que já haviam se dado muito bem na série. Muito da qualidade deste episódio se deve também ao retorno do diretor Guy Hamilton, que anteriormente havia dirigido o melhor filme da franquia até então, 007 contra Goldfinger, em 1964. Até Shirley Bassey, que também havia interpretado a canção-tema em “Goldfinger”, também retorna aqui cantando a música tema do filme.

O roteiro é um pouco confuso e não muito claro, o que prejudica um pouco o filme. Porém isso é compensado pelas diversas cenas de ação, sempre com ritmo ágil e que não deixam a bola cair um instante sequer, valendo-se para isso de várias sequências que ficaram famosas na série. Destaque para a surra que o agente leva de duas serviçais de Blofeld que fazem de Bond o que querem até que este consegue rendê-las numa piscina, além da perseguição antológica na noite de Las Vegas (em que Bond conduz por alguns momentos um Mustang apenas em duas rodas) e da milagrosa escapada de dentro do caixão no crematório. Isso sem falar na cômica fuga do centro de experiências espaciais de Blofeld a bordo de um veículo lunar.

Jill St. John faz aqui a primeira Bondgirl norte-americana. Ela interpreta a contrabandista Tiffany Case, que no começo do filme é vilã mas logo se torna uma aliada de Bond. Atraente e traiçoeira, Tiffany está certamente no rol das bondgirls mais populares. Ela aparece no filme ruiva, loira e também morena, mas sempre provocante e geralmente em trajes sumários.

Os Diamantes são Eternos fez portanto o que se esperava dele: colocou a série em sua rota original de sucesso novamente. Sean Connery embolsou muita grana, e os produtores também. Com isso puderam pensar com calma na escolha do próximo ator que faria Bond nos próximos 7 filmes: Roger Moore. Mas a passagem de Moore como 007 fica para os próximos posts.

Nota – 8.0 ****

Veja abaixo o trailer original do filme (em inglês)

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