Central do Brasil (Central Station, 1998)

(Drama, Brasil, 1998. Direção de Walter Salles. Com Fernanda Montenegro, Vinícius de Oliveira, Mateus Nachtergaele, Marília Pêra e Othon Bastos. Duração 01h53min.)

Nestes tempos em que só se fala em Tropa de Elite, vale a pena assistir a este Central do Brasil, filme vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1998, para sabermos que o cinema nacional já hà algum tempo encontra-se num outro patamar de qualidade em suas produções (aliás, “Tropa” vai concorrer ao mesmo prêmio agora, em fevereiro próximo). Trata-se de um filme comovente e emocionante, sem dúvida, um dos 5 filmes brasileiros mais conhecidos em todo o mundo.

Além do prêmio máximo ganho na Alemanha, o filme também levou o Urso de Prata de Melhor Atriz para Fernanda Montenegro no mesmo ano, e foi indicado para 2 Oscars, Melhor Filme Estrangeiro (perdeu na época para A Vida é Bela, de Roberto Begnini) e Melhor Atriz, numa indicação histórica de Fernanda Montenegro, que acabou perdendo a estatueta para Gwyneth Paltrow, por Sheakespeare Apaixonado (claro que se a premiação fosse em qualquer outro lugar do mundo fora os EUA, Gwyneth jamais ganharia de Fernanda).

Dora (Fernanda Montenegro), mulher de caráter duvidoso e extremamente sisuda, escreve cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Certo dia ela conhece Ana, que vem escrever uma carta com o seu filho, Josué (Vinícius de Oliveira), um garoto de 9 anos de idade, que sonha encontrar o pai que nunca conheceu. Na saída da estação, Ana é atropelada e Josué fica abandonado. Mesmo a contragosto, Dora acaba acolhendo o menino ao seu modo e envolvendo-se com ele. Termina por levar Josué para o interior do nordeste, à procura do pai, numa viagem de ônibus pelo interior do Brasil que se transforma numa verdadeira saga. À medida que vão entrando país adentro, esses dois personagens, tão diferentes, vão se aproximando… Começa então uma viagem fascinante ao coração do Brasil, à procura do pai desaparecido, e uma viagem profundamente emotiva ao coração de cada um dos personagens do filme.

Central do Brasil está longe de ser um filme perfeito, mas com certeza é extremamente bem realizado. Da direção madura de Walter Salles (que posteriormente, entre outros, fez Abril Despedaçado e Diários de Motocicleta) à ótima fotografia de Walter Carvalho, além dos diálogos (muito bons, por vezes até “afiados”). Sem falar, é claro, do elenco, encabeçado por uma Fernanda Montenegro simplesmente genial, mostrando que entendeu perfeitamente o caráter do personagem e imprimindo a ele uma marca forte e corajosa, atuando de cara lavada, num personagem que não tem medo de ser egoísta e desagradável. ”Central” é, acima de tudo, um filme que mostra uma realidade brasileira perfeitamente assimilável, muito diferente daquela apresentada através de metáforas no cinema feitas por Glauber Rocha, por exemplo.

Nota – 8.0 ****

Veja abaixo um trecho do início do filme.


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