A Bússola de Ouro (The Golden Compass, 2007)

EUA, 2007, Aventura, 01h53min. Direção: Chris Weitz. Com Nicole Kidman, Daniel Craig, Dakota Blue Richards, Eva Green, Sam Elliott, Christopher Lee, Ian McKellen (voz) e Kathy Bates (voz).


A Bússola de Ouro
é uma imersão em um mundo de fantasia, bem parecido com aquele dos sucessos de séries de livros/filmes como Harry Potter, O Senhor dos Anéis e As Crônicas de Nárnia. O filme é uma adaptação da obra do escritor inglês Philip Pullman, com roteiro e direção assinados por Chris Weitz, de American Pie e Formiguinhaz (putz, mas que mudança radical de gênero, hein). “Bússola” é a primeira adaptação para as telonas da série literária Fronteiras do Universo, lançada no Brasil, aliás, simultaneamente com o filme no cinema, no final de 2007. Os episódios seguintes, também previstos para adaptação para longa-metragem, são ”A Faca Sutil” e ”A Luneta Âmbar” – mas a bilheteria aquém da expectativa dos produtores nesse primeiro episódio pode inviabilizar essas produções.

A versão para o cinema só seria mesmo possível no atual estágio dos efeitos digitais. O que mais impressiona na visualização do universo de Philip Pullman é a mistura quase imperceptível entre o material filmado e o criado por computador. Este último inclui os “dimons” de todos os personagens principais, que estão em cena praticamente em tempo integral, e imensos ursos-polares guerreiros, protagonistas da fantástica batalha final (talvez a melhor cena do filme).

Sem dúvida, o “alvo” principal são as crianças, que vão adorar o clima permanente de fantasia e os efeitos visuais caprichados. Mas quem é mais adulto vai sentir falta de uma narrativa mais bem construída, que permita ao público “entrar” e, acima de tudo, entender esse universo paralelo. Conceitos e idéias surgem o tempo todo de forma incessante, e o roteiro acaba não se dando tão bem na tentativa de comprimir quase 400 páginas de livro em menos de duas horas de filme.

O resultado é que enquanto no livro os personagens e os eventos têm um tempo para acontecer e se explicar, na tela tudo é muito apressado, podendo confundir aqueles que não estão familiarizados com a trama. Talvez fosse melhor uma duração maior, de quase 3 horas, como fez Peter Jackson em cada episódio de sua trilogia O Senhor dos Anéis.Na trama, Lyra Balacqua (a garota estreante Dakota Blue Richards) é uma menina órfã que vive em na universidade de Oxford e encontra-se esporadicamente com seu tio, Lorde Asriel (Daniel Craig, o atual agente 007). Ela então descobre que querem matá-lo e ele resolve viajar. Enquanto isso, a menina vai morar com uma mulher, Marisa Coulter (Nicole Kidman) que finge ser boazinha, mas seu visual de loira platinada hitchcokiana deixa claro que suas intenções não são nada boas.

Nesse universo paralelo, todos possuem um “dimon”, espécie de manifestação animal da alma das pessoas. Os dimons das crianças não possuem uma forma fixa e isso pode ser a causa de uma onda de sequestros. Isto porque um grupo de pesquisadores pode estar tentando separar as crianças de seus dimons por uma espécie de cirurgia.

Antes de ir para a casa da Sra. Coulter, Lyra recebe do reitor da universidade uma bússola que é capaz de descobrir a verdade sobre qualquer assunto – mas é preciso saber usá-la. A menina tem esse dom e poderá utilizar o instrumento até entregá-lo para o seu tio, conforme manda o reitor. Uma série de eventos acontece – sem deixar muito claro como – e mais tarde vemos Lyra em companhia de um urso polar que poderia ser rei, mas foi excluído de seu bando por perder a armadura.

Esse urso (ufa!), chamado Iorek Byrnison (dublado por Ian McKellen, na versão original), se tornará o maior defensor de Lyra. Outros personagens interessantes do livro, como o piloto de balão Lee Scoresby (Sam Elliott, de Marcas do Destino) e a bruxa Serafina Pekkala (Eva Green, bondgirl de Cassino Royale), estão presentes, mas quase não aparecem no filme.

Ficou difícil entender tanta coisa ?? Pois é: a direção de Chris Weitz nem chega aos pés do trabalho feito por Peter Jackson em O Senhor dos Anéis, e o roteiro, também escrito por Weitz, não sustenta a graça e personalidade encontrados no livro. O resultado é que A Bússola de Ouro acaba ficando muito confuso para quem não ler o livro antes de ver o filme, e para quem fizer isso, ainda deve ficar um gostinho de “quero mais”.

Veja aqui o trailer original do filme, com legendas em português.

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