Ray (Ray, 2004)

(Drama, EUA, 2004. Direção de Taylor Hackford. Com Jamie Foxx. Duração 02h32min)

Nascido em 1930, no estado da Geórgia, nos EUA, Ray Charles Robinson teve uma infância trágica. Filho de mãe solteira, viu seu irmão menor morrer afogado numa tina d’água num estúpido acidente. Com apenas 5 anos de idade, começou a demonstrar sinais de glaucoma, que em menos de dois anos lhe tirou a visão por completo. Cego, pobre, negro e sem pai, descobriu logo que a determinação poderia lhe levar longe, desde que encarasse a sério seu maior dom: a música.

Sozinho, foi atrás deste sonho, e em pouco tempo já era um nome respeitado. Seus discos vendiam muito, suas apresentações lotavam ginásios e seus fãs eram cada vez mais numerosos. Esses excessos, entretanto, começaram a se revelar em outros aspectos de sua vida: as mulheres e as drogas, que quase lhe conduziram ao fundo do poço (uma de suas amantes morreu de overdose e numa outra ocasião ele chegou a ser preso por tráfico e porte). O susto ao menos lhe serviu como lição. Pouco depois, o mesmo empenho o conduziu novamente ao topo e na ocasião de sua morte, aos 73 anos, em 2004, ele era considerado um dos maiores nomes da música norte-americana.

Esta trajetória de altos e baixos é contada com muita competência em Ray, filme de Taylor Hackford, diretor de filmes como Eclipse Total e O Advogado do Diabo. Hackford, também autor do roteiro, não se preocupou muito com uma estrutura original ou grandes inovações, praticamente limitando-se a deixar o espaço livre para o desempenho magistral de Jamie Foxx, no papel principal, e para a história que estava contando, por si só dotada de interesse próprio.

Foxx está perfeito no papel do grande Ray Charles e mereceu o Oscar de Melhor Ator que ganhou por esta atuação. Convence o tempo todo, inclusive nos trejeitos, e passamos por todo o filme vendo Ray, e não alguém tentando imitá-lo. Isso é de uma dificuldade tremenda, até porque Foxx ficou muitíssimo parecido com o músico. Quanto à direção de Hackford, é correta; ele tenta imprimir ao filme um visual de época utilizando-se de recursos de iluminação e também inserindo letreiros que remetem à época, o que funciona muito bem. Mas ao mesmo tempo alonga o roteiro o máximo possível tornando-o desnecessariamente longo (02h32min) o que dilui um pouco o interesse no filme.

Tecnicamente, a produção é realmente muito bem feita. Os cenários, os figurinos, a fotografia, tudo é bastante adequado. E o filme ainda tem a sorte de ser embalado por uma trilha sonora com canções de Charles, claro. Ray é uma obra que vale a atenção despertada. É uma narrativa de fácil compreensão e fluida, o que a torna acessível aos mais distintos públicos. Se há algum pesar a ser notado é que, em nenhum momento, consegue chegar aos pés da genialidade e do talento do personagem retratado. Mas isso, também seria querer demais.

Veja aqui o trailer original do filme em inglês.

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