Com 007 Viva e Deixe Morrer (Live and Let Die, 1973)

A fase Sean Connery estava encerrada definitivamente, e os produtores da série 007, Albert Broccoli e Harry Saltzman, tiveram que procurar outro ator britânico para interpretar o agente secreto mais famoso do mundo. Coube a Roger Moore, inglês nascido em Londres em 1927, a responsabilidade de dar prosseguimento ao carisma do personagem James Bond. Mesmo sendo tachado por alguns como “bonzinho demais” para o papel, Moore fez muito sucesso como 007, tanto que suplantou Connery no número de filmes – 7 contra 6 – e, para muitos fãs, também na performance.

Roger Moore talvez não possuía o mesmo charme e jovialidade que Connery, que quando estreou como Bond em 1962 tinha 32 anos, enquanto Moore já tinha 46 anos ao estrear este Com 007 Viva e Deixe Morrer, em 1973. Porém a missão que marca o início de sua fase no papel de 007 é sem dúvida uma das melhores aventuras de toda a série. Bond aqui deixa um pouco de lado a organização criminosa Spectre e se depara com uma missão recheada de rituais de magia negra e tendo como assunto principal o tráfico de heroína, mudando também o tipo de inimigo a enfrentar, que andava girando sempre em torno de ameaças nucleares.

Além do tráfico de drogas, a morte de três agentes secretos ao redor do mundo colocam frente a frente James Bond (Roger Moore) e Mr. Big (Yaphet Kotto, que mais tarde faria Alien – o Oitavo Passageiro), chefão do crime no bairro negro do Harlem, em Nova York, cuja organização criminosa age de acordo com as visões da cartomante Solitaire (Jane Seymour, com apenas 22 anos à epoca). Quando conhece Bond (e se entrega a ele), Solitaire perde os seus poderes e é condenada a morte num ritual vudu (mas claro, Bond estará lá para salvá-la).

Esta 8ª aventura de 007 é recheada de humor e grandes perseguições. Há espaço para tudo no roteiro, sempre de forma ágil e cheia de aventura: a cena inusitada do cortejo fúnebre que vira carnaval em Nova Orleans; Bond fugindo de seus perseguidores das mais diversas formas, pilotando desde lanchas ultra-velozes na baía da Lousiana (EUA) até um autêntico ônibus londrino – nem um avião de treinamento escapou do “ataque” de 007. Aliás, por falar em ataques, neste filme Bond teve que se livrar de uma cobra no banheiro, de crocodilos no mangue e até mesmo de tubarões na cena final do filme. Tudo isso muito bem conduzido por Guy Hamilton em seu terceiro filme como diretor da série 007 (antes já havia feito o ótimo Goldfinger e o bom Os Diamantes são Eternos).

Para ter certeza que a série estaria em boas mãos, além de Moore e Hamilton os produtores se cercaram de outras personalidades, que garantiram o sucesso do filme. A então novata atriz Jane Seymour impressionou como a Bondgirl Solitaire, tendo ótima química na tela com Moore e criando um clima de sedução e romance que fez muito bem ao enredo (muitos a consideram uma das mais belas mulheres de toda a série). E a música-tema do filme coube simplesmente ao ex-beatle Paul McCartney, e “Live and let die” foi um tremendo sucesso em todo mundo na época de lançamento do filme, em 1973 (inclusive foi indicada ao Oscar de Melhor Canção do ano seguinte, mas perdeu para Marvin Hamlisch pelo filme Nosso Amor de Ontem.

O vilão feito por Yaphet Kotto (Mr. Big/Dr.Kananga) é bem durão e um dos melhores da série, também. Kotto apesar de ainda jovem, teve uma atuação segura e à altura do que o papel impunha. Outro destaque vai para um dos asseclas de Kananga, Tee Hee, feito pelo ator Julius Harris (de King Kong 1976), conhecido por ter no lugar da mão direita garras de aço indestrutível.

Com 007 viva e deixe morrer arrecadou 126 milhões de dólares em todo o mundo, sendo US$ 35 milhões apenas nos EUA, e manteve em alta o mito James Bond após a saída oficial de Sean Connery. Aliás, Roger Moore fez muito mais que isso: imprimiu ao agente seu estilo pessoal, talvez menos charmoso mas muito mais irônico que Connery, o que faz dele um dos atores mais emblemáticos de toda a franquia 007.

Nota – 8.0 ****

Veja abaixo o trailer original do filme em inglês.

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