Meu nome não é Johnny (2007)

(Drama, Brasil, 2007. Direção de Mauro Lima. Com Selton Mello, Julia Lemmertz e Cléo Pires. Duração 01h47min.)

Este filme parece que foi feito sob medida para o talento de Selton Mello. É cômico, é dramático, faz rir, mas também faz pensar. Seu personagem é real e se chama João Guilherme Estrella, o maior traficante de cocaína da alta roda carioca entre os anos 80 e 90. Filho de um diretor do extinto Banco Nacional, ele sempre foi criado com muita liberdade. Mas apesar de poder fazer praticamente tudo o que queria, não era um moleque mimado.

Foi com seus amigos surfistas que fumou maconha pela primeira vez, aos 14 anos, num misto de medo com necessidade de ser aceito no grupo. A mãe não aguentou quando o pai teve câncer e continou fumando e saiu de casa, o que só aumentou a liberdade do jovem João Guilherme. Daí para a realização de grandes festas em casa e a mudança da maconha para a cocaína foi um pulo. Mas um dia, quando dois amigos pularam para trás na hora de rachar a “brizola” (gíria para cocaína), ele conseguiu convencer o fornecedor a deixar a mercadoria em consignação durante o fim de semana, para receber o pagamento na segunda. E assim, cheirando e revendendo sempre o que havia de mais puro no mercado, ele se tornou o barão do ouro branco na Zona Sul do Rio de Janeiro, fornecendo para atores e diretores globais, socialites, músicos, etc.

Tudo isso está escrito nas páginas do livro homônimo, do jornalista Guilherme Fiuza, e que serviu de inspiração para o diretor/roteirista Mauro Lima (Tainá 2) criar seu filme. João Guilherme, depois de levar sua mercadoria até para a Europa, foi preso, julgado e condenado. Deu a famosa volta por cima e hoje é empresário, produtor musical e compositor, prestes a aproveitar o filme para lançar seu primeiro CD.

O jeito como as coisas rolaram, de uma forma inconseqüente e até mesmo orgânica, foi muito bem retratado tanto no livro quanto no filme. Uma coisa foi levando à outra e quando João percebeu já estava nas manchetes dos jornais, sendo preso. No filme, o ritmo é tão intenso quanto a vida do protagonista. Seu jeito carismático, de bem com a vida e a certeza de que tudo ia dar certo o trouxeram até aqui, para dar um exemplo às futuras gerações. Pelo menos é isso que pensam os cineastas. Mas que exemplo é este que se dá bem vendendo e consumindo drogas? A mensagem deveria ser outra: a de que ele só conseguiu se safar porque deu muita sorte. Em seu terço final (quando vira um longa-metragem de julgamento e prisão), o filme peca por impor uma moral à sua estória – a de que Estrela é um caso exemplar (e não particular) de sucesso da segunda chance – o que enfraquece a oportunidade que poderia ser dada ao espectador de ter a liberdade para tirar suas próprias conclusões sobre a complexa figura do protagonista.

Veja abaixo o trailer original do filme.

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