Sucesso absoluto nos EUA, "Eu sou a Lenda", novo filme de Will Smith, estréia no Brasil

Eu sou a Lenda
(I am legend)
(Drama/Ficção, EUA, 2007. Direção de Francis Lawrence. Com Will Smith e Alice Braga. Duração 01h41min.)

Lançado em 1954, o romance Eu Sou a Lenda, de Richard Matheson, está em sua terceira adaptação para o cinema – e esta talvez seja marcada como a versão definitiva. O motivo são as excelentes idéias contidas na obra, que se relacionam com os temores mais primais da humanidade, que não envelhecem. Essa base é a mesma nos três filmes, Mortos que matam (The Last Man on Earth, 1964, com Vincent Price), A Última Esperança Sobre a Terra (The Omega Man, 1971, com Charlton Heston) e o atual, Eu Sou a Lenda (I Am Legend, 2007), todos absolutamente distintos esteticamente e icônicos representantes de suas épocas.

Eu Sou a Lenda é uma típica e emblemática produção hollywoodiana, mas percebe-se assistindo o filme que ele tem um “algo mais”. A fórmula que une o roteiro do oscarizado Akiva Goldsman (Poseidon, Constantine), a competente direção de Francis Lawrence (Constantine) e o super-astro Will Smith (À procura da felicidade, Inimigo do Estado) dá muito certo justamente por exercer o poder da maior indústria cinematográfica do planeta de maneira favorável, acrescentando qualidade ao filme.

Além desse trio de sustentação, temos uma jovem presença brasileira: Alice Braga, que aos 24 anos tornou-se a atriz brasileira com mais expressiva carreira no cinema internacional. Sua façanha não foi pequena: é dela o único papel feminino do filme, que lhe rendeu muitos elogios da crítica de cinema americana e fez com que Alice já tenha acertado outros quatro trabalhos internacionais, entre eles Blindness, adaptação do livro “Ensaio sobre a Cegueira”, de José Saramago, dirigida pelo brasileiro Fernando Meirelles, cujas filmagens já se encerraram (o filme deve estrear nos cinemas no segundo semestre).

Nesta ficção futurista, Smith, que fará 40 anos em setembro, assume mais uma vez o papel de herói. O ano é 2012. Nova York tornou-se uma cidade deserta, onde as suas largas avenidas transformaram-se em matagais, seus imensos edifícios, em estruturas abandonadas. Nas ruas cheias de detritos, um único carro, um possante Mustang GT-500, passa a toda velocidade. Dentro dele, Robert Neville (Smith), e sua cadela, a pastora alemã Sam. Médico virologista, Neville é o único habitante humano sadio da ilha de Manhattan. Todos os demais ou morreram ou foram transformados em pavorosos zumbis canibais, que saem à noite à caça de carne. Apesar de não serem exatamente vampiros, eles também têm pouca resistência à luz. Neville, portanto, só circula durante o dia à procura de algum outro ser humano que possa ter sobrado da maciça contaminação que varreu o país, quem sabe o mundo. O culpado: um vírus que surgiu de um tratamento pioneiro que, anos atrás, erradicou o câncer, mas gerou este terrível efeito colateral.

O diretor Lawrence não esconde que duas versões do final da produção foram gravados – e que o primeiro, mais filosófico, ao estilo de Planeta dos Macacos, foi removido em detrimento de um final “mais comercial”, segundo suas próprias palavras. Acontece que o grande problema do filme é justamente seu final. O clímax é destoante do resto do filme, meio que ao estilo M. Night Shyamalan, com uma reviravolta gratuita, que não combina muito com o clima montado até então.

No mais, o filme é primoroso. Lawrence por várias vezes não precisa “contar” o que está mostrando na tela – o filme por vezes fica silencioso, e o solitário personagem de Will Smith preenche todos os espaços, e assim invadimos sua intimidade e compartilhamos suas emoções e pensamentos. O bom ator, perfeito no papel de Robert Neville, último homem em uma cidade infectada, está à altura do personagem e desempenha seu trabalho de maneira irretocável (na minha opinião, merecia ao menos uma indicação ao Oscar).

Um dos aspectos curiosos de Eu Sou a Lenda é que o filme tem várias cenas gravadas numa Nova York deserta de verdade – a produção do longa causou alguns transtornos na megalópole mundial esvaziando quarteirões por completo, tudo em nome da diversão.

Os humanos transformados pelo vírus, criados originalmente pela ciência para erradicar o câncer, foram gerados por computação gráfica. O recurso, entretanto, não convence muito e não é tão bem executado em termos de qualidade quanto outros aspectos do filme, como fotografia e direção de arte. De qualquer maneira há qualidades de sobra para correr até o cinema e comprar logo seu ingresso. A Warner Bros. terminou o ano com um enorme sorriso no rosto. Afinal, ninguém esperava o tamanho do sucesso do filme no mundo todo – em pouco mais de um mês de exibição já foram arrecadados mais de 463 milhões de dólares, deixando o filme na oitava maior bilheteria do ano.

Veja aqui o trailer do filme em Quick Time.

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