Ingresso de cinema sobe mais que inflação em 2007; produtores culpam meia-entrada

Aquele cineminha no domingo à tarde não só ficou mais caro em 2007, como também subiu mais do que a inflação média do ano todo. Segundo a FGV (Fundação Getúlio Vargas), o ingresso de cinema teve em 2007 alta de 5,92%, acima da variação de 2006 (3,43%). A inflação medida pelo IPC-DI ficou em 4,6% em 2007 – havia sido de 2,06% em 2006. O IPCA, índice oficial de inflação ao consumidor, adotado pelo governo e apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ficou em 4,46% em 2007.

André Bráz, coordenador do índice de preço da FGV, explica que dentre as maiores fontes de custo dos cinemas estão o aluguel das salas, as contas de luz e o pagamento dos funcionários. As causas dos reajustes são variadas, mas produtores de cinema são unânimes em apontar o principal motivo para os aumentos: a meia-entrada. Dizem que ela os obriga a cobrar um valor mais alto do ingresso inteiro, inflando o preço para compensar uma platéia cada vez maior de pessoas que pagam metade. De 70% a 80% do público, estimam, utiliza-se do benefício.

O produtor de cinema Bruno Wainer, responsável pelo líder em bilheteria em 2008 até aqui, Meu Nome Não É Johnny, concorda: “A meia-entrada é um absurdo. É uma clara interferência do poder público numa atividade privada. O exibidor é obrigado a manter o preço alto pois 70% do público paga meia. É algo hipócrita”.

A meia-entrada pode ser a principal causa dos aumentos apontada por produtores, mas certamente não é a única. As salas de cinema estão cada vez mais sofisticadas (o que demanda um investimento maior) e campanhas de marketing de lançamento dos filmes cada vez mais caras também pressionaram os preços ao consumidor nos últimos anos. Marcelo França Mendes, do Grupo Estação, diz que “o ingresso subiu dessa maneira muito provavelmente porque os cinemas inaugurados nos últimos anos têm características muito mais dispendiosas do que no passado, como o fato de serem em shoppings, com muitas salas, com equipamentos importados de última geração”, afirma. Segundo ele, há uma competição “muito grande no setor”. “Cada exibidor busca um diferencial para o seu projeto, o que na maioria das vezes o torna mais caro.”

O modelo multiplex, diz, demanda mais investimento e, com os altos juros no Brasil, “é natural que essas empresas procurem recuperar o investimento o mais rápido possível” -leia-se, num prazo de cinco a oito anos. Sobre a meia-entrada, Mendes afirma que “certamente” ela “encarece o preço do ingresso” e dá “a ilusão que cinema é mais caro”. Em algumas salas, o Estação cobra R$ 20 a inteira no final de semana, mas ele diz que o preço médio do ingresso recebido fica em cerca de R$ 12.

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