Tim Burton e Johnny Depp juntos novamente em musical de terror que estréia nos cinemas

O barbeiro demoníaco da Rua Fleet
(Sweeney Todd)
(Suspense/Musical, EUA, 2007. Direção de Tim Burton. Com Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Alan Rickman e Sacha Baron Cohen. Duração 01h56min.)

A Warner Bros. lança nessa sexta-feira, em 80 salas em todo o país, esta adaptação para o cinema do musical de Stephen Sondheim. A sombria Inglaterra dos tempos da Rainha Vitória, na segunda metade do séxulo XIX, no auge da Revolução Industrial, é o cenário ideal para o imaginário meio aloprado do diretor Tim Burton. Fãs do cineasta devem reconhecer imediatamente o visual meio vampiresco de Johnny Depp (Piratas do Caribe, A Janela Secreta), talvez o ator preferido de Burton, com suas madeixas grisalhas e olheiras melancólicas, que interpreta Benjamin Barker, um barbeiro que, depois de ser injustamente expulso de Londres e de ver esposa e filha caírem em desgraça, retorna adotando o pseudônimo de Sweeney Todd para consumar sua vingança. Ao lado da quituteira Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter, que já havia trabalhado também com Burton em Planeta dos Macacos – 2001), o vingador usa a cadeira do barbeiro para assassinar seus clientes, enquanto ela pega os restos mortais para assar tortas (!!) que viram a sensação gastronômica da cidade.

Depp concorre ao Oscar de Melhor Ator pelo papel, mas os grandes destaques do filme talvez expliquem suas outras duas indicações ao prêmio – Figurino e, sobretudo, Direção de Arte. A montagem e a edição de som também estão tecnicamente perfeitas, como no primeiro encontro de Todd com o juiz na barbearia e na sequência da primeira fornada de tortas humanas – cenas absolutamente impecáveis. As vozes de Depp e Alan Rickman (o Severus Snape da série Harry Potter) fundindo-se e intercalando-se com os sons dos panos, da navalha e da cadeira do barbeiro aumentam um suspense que, naquele momento, já era enorme. Já o barulho do alçapão em cortes rápidos, entre uma batida e outra da faca de Mrs. Lovett, dá um ritmo quase dançante à hora da matança. O roteiro também é desenvolvido num ritmo bastante ágil e a sequência de números musicais não é nada cansativa.

O filme estreou no Natal nos EUA e vem tendo um bom desempenho nas bilheterias (já arrecadou quase 100 milhões de dólares em todo o mundo, tendo custado aproximadamente a metade desse valor). Sweeney Todd acaba por se revelar um dos melhores musicais produzidos em Hollywood nos últimos anos. O filme cumpre aquilo a que se propõe, mas isso não significa que agrade a todos os gostos – não tem problema, os filmes de Tim Burton geralmente são assim mesmo, ame-os ou deixe-os.

Veja aqui o trailer do filme em Quick Time.

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