De volta ao papel da rainha inglesa, Cate Blanchett rouba a cena e concorre novamente ao Oscar

Elizabeth – a Era de Ouro
(Elizabeth – The Golden Age)
(Drama, Reino Unido/França/Alemanha, 2007. Direção de Shekar Kapur. Com Cate Blanchett, Geoffrey Rush e Clive Owen. Duração 01h54min.)

Em 1998, Cate Blanchett era uma atriz australiana praticamente desconhecida que protagonizou Elizabeth, filme que chamou a atenção especialmente pelo seu talento. Quase 10 anos e uma carreira consolidada depois, ela volta a assumir a personagem na sequência Elizabeth – A Era de Ouro, que estréia na sexta-feira em 40 salas de cinema em todo Brasil, em lançamento da Universal Pictures.

No final do século XVI, Elizabeth 1ª (Blanchett), conhecida como a Rainha Virgem por ser ainda solteira aos 50 anos, encanta-se com um aventureiro, chamado Sir Walter Raleigh (Clive Owen). Ele chega do Novo Mundo e conta que deu o nome de Virgínia a uma colônia em homenagem à soberana. Embora a presença de Raleigh deixe Elizabeth desconcertada, o que mais a incomoda é a ameaça católica que atende pelo nome de Mary Stuart (Samantha Morton), rainha da Escócia e sua prima. Isto porque o rei Felipe 2o da Espanha (Jordi Mollà), apoiado pela Inquisição, pretende tirar a “herege” do trono inglês, substituindo-a pela prima. Agora, resta à rainha não apenas preparar o seu exército e defender o seu trono, mas também guardar seu coração de Raleigh.

Elizabeth – A Era de Ouro transita entre a personagem enquanto governante, defendendo a sua posição, e a mulher apaixonada, que não pode entregar-se livremente ao coração. Por ser uma grande atriz, Cate Blanchett consegue tirar grandes momentos de sua personagem – mais por sua intuição como intérprete do que pela originalidade do roteiro ou direção. E, justiça seja feita, se você precisa de um bom motivo para ver esse filme, Blanchett é a desculpa perfeita, pois sua atuação é realmente impressionante. Mas o mesmo infelizmente não vale para o diretor paquistanês Shekhar Kapur. A qualidade técnica do filme está preservada em belos planos e figurinos impecáveis, mas o teor do roteiro fica muito aquém do longa-metragem original de 1998. E, apesar de promissores, os conflitos enfrentados pela protagonista se desenvolvem de forma desinteressante. A disputa bélica com a Espanha, como é mostrada, não vai além de uma batalha marinha muito sem-graça. A imagem do pôster, da rainha toda vestida para a guerra, fica só no discurso, assim como as conquistas que deveriam marcar a tal Era de Ouro do título. Chega a preocupar a possibilidade de um terceiro filme, este sobre a última fase da Rainha Virgem, fazendo da sequência uma trilogia. Principalmente se não convencerem Blanchett a interpretar novamente a monarca.

Cate Blanchett já conquistou alguns prêmios, como um Oscar de Atriz Coadjuvante por O Aviador. E, no dia 24/fev, concorre novamente ao Oscar, desta vez em duas categorias: melhor atriz (por Elizabeth – A Era de Ouro) e melhor atriz coadjuvante (por Não Estou Lá). No entanto, é bem provável que a australiana saia de mãos abanando, já que a favorita é Julie Christie, do ótimo Longe Dela (até os leitores do blog pensam assim, segundo enquete recentemente feita). O detalhe é que a atriz australiana é a primeira mulher a concorrer ao prêmio de atriz principal interpretando a mesma personagem em dois filmes diferentes. Nas outras quatro vezes em que isso ocorreu foram com homens – Bing Crosby (1944 e 1945), Paul Newman (1961, 1986), Peter O’Toole (1964 e 1968) e Al Pacino (1972 e 1974).

Veja aqui o trailer do filme em Quick Time.

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