Cerimônia do Oscar é previsível e premia atores e atrizes europeus; Irmãos Coen se consagram

Como já era mais ou menos esperado, Onde os Fracos Não Têm Vez foi o grande ganhador da 80ª edição da entrega do Oscar, conquistando quatro estatuetas das oito a que concorria: Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (para Javier Bardem). Também com oito indicações, Sangue Negro ganhou apenas os prêmios de Melhor Ator (para Daniel Day-Lewis) e Melhor Fotografia. Já o favorito do público Juno leva para casa apenas o troféu de Melhor Roteiro Original – que aliás foi merecidíssimo.

Entre as categorias ditas “técnicas”, uma certa surpresa para o domínio de O Ultimato Bourne, que levou três troféus – Edição de Som, Mixagem de Som e Montagem. A vitória de A Bússola de Ouro sobre Transformers na categoria Efeitos Visuais também foi de certa forma surpreendente.

A festa teve apresentação muito bem realizada pelo comediante americano Jon Stewart, que conseguiu arrancar boas risadas com um humor sempre muito bem encaixado e respondendo rapidamente a determinadas situações criadas pela festa. Sua performance foi agradável e discreta, apesar do pouco tempo que os roteiristas tiveram para “escrever” as falas – pouco mais de 10 dias – em virtude da greve dos roteiristas, finalizada recentemente.

De certa forma os prêmios ficaram bastante diluídos entre os filmes mais indicados, como vem acontecendo nas últimas edições do Oscar. Alguns prêmios foram mesmo previsíveis: Melhor Figurino para Elizabeth: A Era de Ouro, Melhor Animação para Ratatouille, Javier Bardem como Melhor Ator Coadjuvante (por Onde os Fracos não tem vez) e Daniel Day-Lewis como Melhor Ator (por Sangue Negro).

Mas tivemos sim, uma certa dose de surpresa, no caso das atrizes. Tilda Swinton ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por Conduta de Risco – não havia uma grande favorita, mas ela não era uma das mais cotadas. E Marion Cotillard (por Piaf – Um Hino ao Amor), que tinha ganhado o Globo de Ouro e o Bafta inglês, levou para a França o Oscar de Melhor Atriz, superando favoritas como Cate Blanchett (sua segunda Elizabeth perdeu de novo) e Julie Christie.

Aliás, o que não faltou nesta entrega do Oscar foi ganhador estrangeiro. Destaque para os italianos Dante Ferretti e Francesca Lo Schiavo pelo prêmio de Melhor Direção de Arte por Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, para a dupla formada pelo irlandês Glen Hansard e a polonesa Markéta Irglová pelo Oscar de Melhor Canção por “Falling Slowly” e para todos os atores/atrizes premiados, todos eles europeus: Tilda Swinton (Inglaterra), Marion Cotillard (França), Javier Bardem (Espanha) e Daniel Day-Lewis (Inglaterra).

A destacar ainda uma gafe produzida pela organização da festa: o tradicional clipe que homenageia os envolvidos na indústria do cinema que morreram no último ano trouxe justas lembranças a nomes como Suzanne Pleshette (Os Pássaros), Lois Maxwell (007), o diretor Michelangelo Antonioni e o jovem ator Heath Ledger (Brokeback Mountain) – mas esqueceu-se solenemente do ator Roy Scheider (Tubarão) morto há alguns dias atrás.

Veja abaixo como se saíram os principais filmes:

Onde os fracos não tem vez
(No Country for old man)
Grande vencedor da noite. Um dos líderes em indicações (8) levou metade deles para casa – 4 Oscars: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator Coadjuvante (Javier Bardem). Perdeu em Fotografia para Sangue Negro e perdeu em 3 categorias técnicas envolvendo som e montagem para O Ultimato Bourne. Consagração para os Irmãos Joel e Ethan Coen, que produzem, dirigem e roteirizam o filme – 3 Oscars para cada um.

O Ultimato Bourne (Bourne Ultimatum)
Sem dúvida o filme mais surpreendente da noite – ganhou 3 Oscars “técnicos”: Melhor Montagem, Melhor Som e Melhor Mixagem de Som. Duas curiosidades: concorria a 3 prêmios e levou todos eles – e em todos derrotou Onde os fracos n
ão tem vez
.

Sangue Negro (There Will be blood)
Talvez o maior derrotado. Levou o esperado prêmio de Melhor Ator (para Daniel Day-Lewis) e também o de Melhor Fotografia (derrotando Desejo e Reparação, favorito do blog). Perdeu nas outras 6 categorias em que disputou. Parece ter marcado mais na mente dos membros da Academia a atuação soberba do inglês Day-Lewis do que o filme todo em si.

Piaf – Um Hino ao Amor (La Vie en Rose)
Levou o prêmio de Melhor Atriz (para Marion Cotillard) e também o de Melhor Maquiagem (derrotando Piratas no Caribe 3 e Norbit).

Desejo e Reparação (Atonement)
Ao lado de Sangue Negro, outro que pode ser considerado um dos perdedores da noite. O vencedor do Globo de Ouro de Melhor Filme teve 7 indicações ao Oscar, mas levou apenas o modesto prêmio de Melhor Trilha Sonora. A indicação da garota Saoirse Ronan como atriz coadjuvante foi uma piada – mas o filme deveria ter ganho como Melhor Fotografia no lugar de Sangue Negro, sem dúvida.

O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet (Swenney Tood)
ganhou apenas como Melhor Direção de Arte, mas foi um prêmio merecidíssimo. Johnny Depp teve a terceira indicação como Melhor Ator em 5 anos, mas perdeu de novo.

Conduta de Risco (Michael Clayton)
Tilda Swinton levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. Ficou de bom tamanho para um filme que teve exageradas 7 indicações – apesar de ser um bom filme, também não era para tanto.

Juno
Foi muito legal ver a ex-stripper Diablo Cody receber o prêmio de Melhor Roteiro – o único ganho pelo filme. A atriz Ellen Page não ganhou, mas teve uma indicação merecida. E dos 5 indicados ao Oscar de Melhor Filme é disparado o campeão de bilheteria – já arrecadou mais de US$ 130 milhões só nos EUA.


Elizabeth: A Era de Ouro
(Elizabeth: The Golden Age)
A atriz Cate Blanchett disputou o Oscar de Melhor Atriz pela segunda vez interpretando o mesmo papel – o da Rainha Elizabeth I da Inglaterra – mas perdeu novamente. O filme levou apenas um Oscar, mas merecido: o de Melhor Figurino.


Ratatouille
Nas indicações surpreendeu, com cinco. Mas ganhou apenas como Melhor Animação – como era esperado, aliás.

Transformers
Um furo n’água. Era favorito nas 3 categorias a que concorria – Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais – e tomou um vareio do agente Bourne e dos ursos polares de A Bússola de Ouro. A Academia definitivamente não foi com a cara dos monstros-caminhões.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: